Portugal e Marrocos vão duplicar a cooperação nos sectores da energia e do turismo. Prometem oferecer a empresas lusas a criação de parques eólicos no país magrebino e a recuperação do património dos Descobrimentos.
A X Cimeira Luso-Marroquina terminou ontem com a assinatura de vários acordos de cooperação, culminados com a duplicação da actual linha de crédito e com a revisão das condições financeiras, para responder à subida das taxas de juros. Criada em 2004 na sequência de um acordo de financiamento entre Portugal, Marrocos e a Caixa Geral de Depósitos, subiu no ano passado de cem para 200 milhões de euros e passa agora para 400 milhões de euros.
E parte deles destinam-se à "assistência para a reabilitação e recuperação do património português em Marrocos com fins turísticos". Um património histórico com marcos como Essaouira (Mogador), El Jadida (Mazagão), ou Safi (Safim), que serão revitalizados com base no modelo das "Pousadas de Portugal".
A par da aposta turística, Marrocos quer abrir o mercado energético, no sentido de diversificar fontes de energia e responder à actual crise energética. Portugal fornecerá o "know-how" e investirá, através de empresas nacionais, no sector eólico.
No final do encontro - que decorreu ontem no Forte de S. Julião da Barra -, o primeiro-ministro português apontou ainda o relançamento da cooperação económica com Marrocos no sector automóvel (com Portugal a fornecer componentes para a indústria marroquina) e em infra-estruturas. José Sócrates realçou a prioridade da cooperação com aquele país do Norte de África e destacou a evolução positiva das relações comerciais, alicerçadas numa "excelente relação política".
"Nós temos empresas portuguesas em Marrocos que já ultrapassaram uma centena e dão emprego a mais de 30 mil marroquinos", disse Sócrates, apontando a subida de 22% das exportações portuguesas em 2006 e a sua manutenção em 2007.
O incremento das relações comerciais é, de resto, respaldado pelo anúncio da criação de uma nova ligação aérea comercial: a TAP vai passar a voar entre Lisboa e Casablanca seis vezes por semana a partir de Outubro. Porque, insistiu Sócrates, "as relações comerciais o justificam".
Do seu lado, o primeiro-ministro marroquino, Abbas El Fassi, agradeceu ao Governo português por ter ajudado Marrocos a conseguir "um estatuto avançado junto da União Europeia".
O tema da União Europeia foi ainda aflorado no que à política de imigração diz respeito, com Sócrates a garantir que Portugal manterá a política "amiga do imigrante", apesar da nova "directiva do retorno", que acelerou os prazos de repatriamento de cidadãos estrangeiros clandestinos.
O chefe de Governo português esclareceu que a política de imigração nacional visa "a boa integração dos imigrantes, combater toda a imigração clandestina, que é um crime contra a humanidade, que é o tráfico de seres humanos", e "ajudar ao desenvolvimento de todos os países de origem". Do seu lado, Abbas El Fassi defendeu o retorno dos imigrantes - sobretudo os qualificados - e disse ser Marrocos uma "vítima da imigração clandestina" vinda da África Subsaariana.