Um dos melhores caricaturistas nacionais de todos os tempos, António Antunes, inaugura no próximo dia 9 de Novembro, a exposição «Entrelinhas», no Centro de Estudos Camilianos, estrutura cultural tutelada pela Câmara de Famalicão, localizada em Seide S. Miguel.
A mostra composta por três esculturas e 53 caricaturas de escritores portugueses e estrangeiros estará patente até 30 de Março, podendo ser visitada de segunda a sexta das 10h00 às 17h30 e aos sábados e domingos das 10h30 às 12h30 e das 14h30 às 17h30. A entrada é livre. Depois de acolher em 2006, a exposição «Linha, Ponto e Vírgula» do caricaturista André Carrilho, Famalicão recebe agora aquele que é considerado como o melhor caricaturista político português das últimas décadas.
António Moreira Antunes nasceu em Vila Franca de Xira a 12 de Abril de 1953. Com formação artística em pintura pela Escola António Arroio e frequência da Escola Superior de Belas Artes, tornou-se, nas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, no “ (...) melhor caricaturista político da ainda jovem Democracia portuguesa.”
No dia em que deflagra o golpe das Caldas, António inicia a sua carreira de cartoonista no vespertino República, na edição de 16 de Março de 1974, onde faz um desenho simbólico que viria a ser uma alegoria premonitória da revolução que rapidamente se aproximava. Em Dezembro de 1974, António transfere-se para o Expresso, depois da passagem pelo Diário de Notícias, A Capital, A Vida Mundial e O Jornal. É na edição do Expresso de 4 de Novembro de 1975 que nasce uma espécie de banda desenhada intitulada Kafarnaum que iria acender a polémica durante 100 semanas, trabalhos que iriam ser mais tarde reunidos naquele que viria a ser o seu primeiro livro.
Em 1983 publica um novo álbum «Suspensórios». Neste mesmo ano o cartoonista português arrecada um dos muitos prémios que iriam marcar a sua vida: o Grande Prémio no XX Salão International de Cartoon em Montreal com um pastiche da invasão israelita do Líbano. Os trabalhos de António passam a ser divulgados pela agência internacional Cartoonists & Writers Syndicate no seu catálogo Views of the World. Além de cartoons e caricaturas, António realizou iniciativas como a produção de peças de cerâmica representando figuras da actualidade política nacional e de baralhos de cartas de jogar com a mesma temática, nos anos 80. Em 1993, António vê-se envolvido naquela que seria a maior polémica da sua carreira: o «Preservativo Papal», representando João Paulo II com um preservativo pendendo do nariz.
O seu carácter de inconformismo vivo e crítica mordaz, uma enorme energia e um talento incontestado criaram aquele que é porventura o melhor caricaturista e cartoonista político nacional da actualidade que alia um humor subtil às suas criações.