José Sócrates começou por quebrar uma tradição. Ontem, falou de pé aos portugueses. Agradeceu os esforços de todos e quis realçar, mais do que os outros, o valor natalício da esperança. "É de esperança a palavra que vos quero transmitir", disse o primeiro-ministro, numa mensagem de Natal em tom de preocupação, marcada, do princípio ao fim, por um discurso de crise. E de um certo dever cumprido.
"O ano de 2008 foi, todos o sabemos, um ano difícil", em cenário de "grave crise económica e financeira", a cujos efeitos Portugal não escapa, disse Sócrates. Para enaltecer, logo a seguir, o trabalho feito pelo Governo que dirige e que permite "responder melhor às dificuldades económicas" vindas "de fora". O actual estado de coisas é, assim, atribuído à conjuntura internacional, dado que, "nos últimos três anos, o país ultrapassou a crise orçamental e pôs as contas públicas em ordem". Um resultado que, garantiu o primeiro-ministro, possibilita hoje "usar mais recursos do Estado para apoiar o emprego, as empresas e as famílias".
Entre essas ajudas do Governo, Sócrates apontou o aumento do abono de família, a aposta na acção social escolar e a redução dos preços dos transportes escolares. Mas também o aumento do salário mínimo e dos salários da função pública "acima da inflação", a "generalização" do complemento solidário para idosos e a baixa dos juros nos créditos à habitação (apesar de dependerem sobretudo de ditames internacionais).
Alardeado o trabalho feito, seguiu-se o aviso: "O ano de 2009 vai certamente ser um ano difícil e exigente para todos", perante o qual é dever ("nosso", disse Sócrates), não ficar "à espera que os problemas se resolvam por si". Da parte do Governo, ficou a promessa da defesa do interesse nacional através do uso de "todos os recursos" disponíveis, com "rigor, sentido de responsabilidade e iniciativa", para ajudar a ultrapassar dificuldades e "incentivar o investimento económico que gera riqueza e emprego". Sócrates concluiu com uma nota de confiança no "talento" e "trabalho" dos portugueses para saber atravessar a crise económica internacional".