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Sílvia Guerra : Portugueses de diáspora

Sentido único – Arte!

sexta-feira 19 de Outubro de 2007, por Susana Paiva

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Aos 34 anos Sílvia Guerra, historiadora e crítica de arte, lança-se num novo desafio, aventurando-se a título individual no seu primeiro comissariado – a exposição “Under Hitchcock”, actualmente patente na Galeria de Arte Cinemática Solar, em Vila do Conde. Uma experiência gratificante e bem sucedida que gostaria de ver multiplicada em França, onde vive, ou em Portugal e Itália, países com os quais possui fortes ligações.



Foi em Coimbra, onde aos 19 anos iniciou os seus estudos universitários, que Sílvia Guerra despertou para as práticas artísticas. Em 1998, chegada ao 4º ano da licenciatura em Direito, decide inscrever-se na licenciatura em História de Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e mudar o rumo da sua futura vida profissional.

Durante os anos de estudante participa intensa e activamente na vida cultural da Associação Académica local, integrando durante 5 anos a direcção do C.I.T.A.C - Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra. Aí, através do trabalho como actriz, produtora e gestora, dota-se das ferramentas que viriam a revelar-se essenciais ao desenvolvimentos dos seus projectos profissionais. Nos múltiplos anos de aprendizagem e experimentação teatral, cria espaços públicos de redescoberta da Poesia Portuguesa que lhe permitiriam apresentar, no seio do grupo de teatro universitário, espectáculos em Portugal, Macau e Moçambique que lhe deixariam um indelével gosto pela Arte e viagem.

A primeira grande vivência no estrangeiro concretiza-se ainda durante os anos de estudante quando, em 2000, Sílvia ruma a Veneza para, na l’Università di Cà Foscari ao abrigo do projecto Erasmus, realizar o terceiro e quarto anos da licenciatura em História de Arte. Será nessa mesma cidade que iniciará o seu trabalho profissional no domínio da Arte Contemporânea.

Em 2001, no âmbito da 49ª Bienal de Veneza, e sob o comissariado de Udo Kittelmann, dirige e coordena o grupo de trabalho no Pavilhão Alemão onde se encontra exposta a obra “Totes Haus Ur”, do artista Gregor Schneider. Uma experiência muito gratificante e marcante que Sílvia ainda hoje recorda com grande vivacidade ou não tivesse sido ela a responsável por abrir diariamente a porta da casa que, artisticamente, Gregor Schneider aí materializou.

Em consequência do seu currículo e das suas bem sucedidas actividades em Itália é convidada por Paulo Cunha e Silva a regressar a Portugal e a integrar o Instituto das Artes (IA) do Ministério da Cultura. Aí exerce, durante dois anos, as funções de técnica superior especializada em arte contemporânea, no Gabinete de Internacionalização, desenvolvendo diversos projectos entre os quais a produção da representação portuguesa no 1° Fórum das Artes de Ouro Preto no Brasil, com a participação dos artistas Joana Vasconcelos, Noé Sendas, Filipa César e Francisco Queirós, e dos “Drumming”- grupo de musica erudita contemporânea de percussão, bem como a produção executiva da Representação Portuguesa na 51° Bienal de Arte de Veneza, materializada pela artista Helena Almeida, sob o comissariado de Isabel Carlos.

Com trabalho louvado por colegas e responsáveis políticos é com estranheza que recebe, em Outubro de 2005, a notícia de rescisão do seu contrato com o Instituto das Artes. Grávida de 7 meses e não sentindo energia para avançar contra a decisão do Ministério da Cultura resolve instalar-se em Paris onde se inscreve como doutoranda na École des Hautes Études en Sciences Sociales. Aí, sob a orientação de Pierre-Michel Menger, inicia o seu doutoramento com o tema “Trajectória de algumas colecções privadas de arte contemporânea na Europa e seus coleccionadores”, cruzando exemplos portugueses, franceses e suíços.

É em Paris, cidade em que vive desde 2006, que elabora agora os seus projectos pessoais, articulando-os com o permanente trabalho da sua tese de doutoramento e com a actividade de crítica artística que desenvolve para a publicação portuguesa on-line “artecapital.net”.
No plano profissional brindou-nos recentemente com o seu último “risco” individual – o comissariado da exposição colectiva “Under Hitchcock”, com obras de Jean Breschand, Christoph Girardet, Laurent Févét, Carlos Lobo, Mathias Muller e Salla Tykka, exposto até 7 de Outubro na galeria de arte cinemática Solar, em Vila do Conde. Um projecto ambicioso e bem sucedido, à imagens de outros que Sílvia gostaria de desenvolver entre França. Portugal e Itália, revelador da sua capacidade de ultrapassar obstáculos e seguir rumo aos múltiplos rostos da Arte.

- texto publicado na edição de Outubro 2007 da revista “Magazine Artes”
- Texto e fotografias de Susana Paiva
- Imagens das obras gentilmente cedidas pelo artista
- www.susanapaiva.com

Susana Paiva

www.susanapaiva.com



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