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João Heitor : "Portugueses de diáspora"

Lusitânia no Bairro Latino

segunda-feira 11 de Junho de 2007, por Susana Paiva

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Radicado há 33 anos em França, João Heitor é hoje sinónimo de livro entre a Comunidade Portuguesa residente no país. Livreiro e editor, há 20 anos que difunde a língua e cultura nacionais a partir do coração do “Quartier Latin” Parisiense onde a sua “Librairie Lusophone” é considerada ponto de encontro por todos quantos amem as letras em português.



Foi João Heitor quem, no seu jeito descontraído, primeiro me chamou a atenção para a pequena placa alusiva a António Nobre colocada na fachada do nº 12 da rue de la Sorbonne, onde o poeta viveu entre 1890 e 1891. No rés-do-chão existe agora um pequeno e colorido “Sun coffee” cujos “paninis e viennoiseries”, profusamente anunciados, roubam protagonismo às placas alusivas aos dois poetas que lá viveram. António Nobre e, mais tarde, Ossip Mandelstam partilharam vista para a soberba Sorbonne que domina o “Quartier Latin” e cuja fervilhante vida cultural terá servido de inspiração ao poeta português para a escrita da sua primeira obra - "Só", editado em Paris em 1892.
No olhar de João Heitor ainda se sente o brilho quando relata as dificuldades superadas para realizar tal homenagem ao autor de “Lusitânia no Bairro Latino” precisamente por se tratar da vizinhança da afamada universidade. Hoje, vencidas as adversidades, é com prazer que indica o itinerário de menos cinco minutos que separa a sua livraria da antiga casa do poeta.

Nas redondezas da rue de Sommerard, onde há 20 anos abriu pela primeira vez abriu a porta da sua “Librairie Lusophone”, todos o conhecem como o “português dos livros”, designação que o enche de orgulho.

Quando há 36 anos deixou de Portugal, João Heitor era um adolescente idealista que encontrara motivação para partir nos grandes ideais universalistas com que tivera contacto, por via educacional, no seio de uma Congregação Cambodiana, em Viseu.

Antes de se radicar em França, em 1974, passou 3 anos a estudar e a trabalhar em Espanha, contribuindo para a formação do homem que mais tarde se viria a licenciar em sociologia pela “École des hautes études en sciences sociales”, em Paris. Hoje reconhece que possui “o espírito estruturado pela metodologia da escola francesa” que combinada com o “lado poético e espontâneo do homem e da mulher portuguesa” o dotam das ferramentas de combatividade e dinamismo necessárias para o exercício da profissão que elegeu.

A sua chegada “às letras”, com a abertura da livraria em 1987, fez-se naturalmente através da paixão que sempre tivera pelos livros e pela cultura portuguesa. Para trás ficara o tempo do ensino do português a gerações de imigrantes portugueses em frança e das reivindicações culturais das diversas estruturas associativas que, enquanto jovem recém chegado a Paris, ajudou a construir.

Hoje, aos 55 anos, conta com a satisfação de saber que “marcou a comunidade pelo livro” e com o prazer de poder atender, com afabilidade, todos aqueles que cruzam a porta da sua livraria em busca de autores lusófonos, no idioma original ou nas múltiplas traduções em francês que também comercializa. Sabe que a sua livraria se tornou um ponto de encontro, onde elementos da comunidade portuguesa e estrangeiros de diversas nacionalidades se juntam em torno da cultura portuguesa. Sorri com alegria quando recorda que muitos filhos de emigrantes tiveram o primeiro contacto com a literatura portuguesa através da sua “Lusophone”. “Fiz pontes, fiz janelas, é isso o mais bonito do meu projecto”.

Há cerca de 6 anos atrás resolveu correr um novo risco e juntar a edição à sua já longa carreira de livreiro. Para este homem, nascido na Meda, que “para ir ao encontro do sonho vendeu tudo” lançar-se na edição tornara-se algo de inevitável, essencial para divulgar o que de melhor se vai produzindo no seio da comunidade portuguesa em França. Fundou então a “Éditions Lusophone”, dedicada à edição de autores lusófonos, que traduzam a riqueza da língua portuguesa. De seu catálogo, que conta já com cerca de 60 obras, destacam-se as obras da colecção “Testemunhos”, onde múltiplas obras de lusodescendentes foram já publicadas, e da colecção “Universitária”, dedicada à publicação de temas filosóficos - como “L’Universel et le Singulier dans la saudade – une philosophie de l’interculturel” de Adelino Braz, doutorado em filosofia pela Universidade de Paris I/ Panthéon Sorbonne – bem como de “outros actos e temas universitários”.

Para João Heitor, assumidamente “livreiro bulímico”, função que protagoniza com maior prazer, “todo o tempo é pouco” e as cerca de duas horas que dura a viagem entre casa e o trabalho é passada a ler. Na livraria guarda religiosamente os manuscritos e algumas provas de livros a editar proximamente. Confessa que tem, como “agente difusor da cultura portuguesa”, “planos até ao fim da vida” e que nos seus sonhos por realizar se encontra ainda a publicação de um livro da sua autoria para o qual até já tem título - “As memórias de um pequeno livreiro português no Quartier Latin”.

- (texto publicado na revista “Magazine Artes” de Abril 2007, revisto em Maio 2007)
- http://www.susanapaiva.com


- Texto e fotografias de Susana Paiva

Susana Paiva

www.susanapaiva.com



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