António Figueira, de 41 anos, casado com dois filhos, era natural do Porto. Foi criado em França e entrou no grupo “Os Mosqueteiros” em 1991. De regresso a Portugal, foi responsável, no ano seguinte, pela instalação do “Intermarché” em Ourém, concelho onde residia.
O alegado assassino é um francês de 52 anos chamado Marc Lastavel que fugiu para França no carro da própria vítima, de marca Mercedes.
“Temos notícias e informações certas que dão conta de que na segunda-feira, pelas 10:00, o suspeito estava na região de Bayonne e ali se manteve. Já conseguimos saber que terá dormido num hotel e talvez dentro do próprio carro”, esclareceu Carlos do Carmo, afirmando ainda que terá sido também visto na “zona de Lourdes” disse aos jornalistas Carlos do Carmo Coordenador do Departamento de Investigação Criminal (DIC) de Leiria da PJ.
O responsável da Judiciária destacou a celeridade com que este caso foi tratado pelo Ministério Público, a quem coube a emissão de um mandado de detenção europeu. “Sempre se pensou que o suspeito estaria em França e, várias vezes ao dia, através do oficial de ligação, procurámos sensibilizar as autoridades para aquela possibilidade”, acrescentou. “O suspeito foi interceptado porque as autoridades francesas já estavam sensibilizadas”, referiu.
A PJ enviou uma carta rogatória às autoridades francesas a solicitar diversas diligências de prova para o esclarecimento do crime, esperando-se depois o pedido para a sua extradição. “Durante dois anos, o suspeito trabalhou para a vítima como Director-geral de uma loja no Intermarché de Leiria, tendo sido despedido em Abril”, referiu Carlos do Carmo. Apesar de despedido, o alegado homicida continuou a ocupar o apartamento do empresário em Leiria, que tentou, “mesmo com corte de água, luz e gás”, impedir que o alegado criminoso ali continuasse. “O suspeito não terá gostado da situação e provavelmente originaram recalcamentos que tiveram este final”, frisou Carlos do Carmo. Para alegadamente cometer o homicídio, Marc Lastavel combinou encontrar-se com o empresário, no apartamento situado na Rua das Olhalvas, em Leiria, utilizando o pretexto de entrega da casa ao empresário António Figueira. O empresário de Leiria chegou ao encontro acompanhado por uma pessoa, mas Marc Lastavel insistiu falar a sós com António Figueira, tendo aquela abandonado o local. António Figueira foi atingido "a tiro de espingarda, pelas costas" e à queima-roupa, alegadamente por Marc Lastavel, suspeito de ter "planeado" o homicídio. Segundo a mesma fonte, o crime ocorreu num apartamento em Leiria de que a vítima era proprietário e o qual tinha sido cedido ao agressor, que, após o disparo pelas costas, desferiu ainda "uma coronhada no rosto" da vítima.
Como António Figueira não "morreu de imediato", o alegado assassino amarrou as mãos do empresário atrás das costas e enrolou-lhe uma toalha à cabeça. Colocou, posteriormente, a vítima debaixo da cama, por forma a garantir que esta não sobreviveria, ao ficar impossibilitada de pedir ajuda, explicou a fonte.
Só três dias depois o corpo de António Figueira foi encontrado.