O trabalho apresenta um atleta chinês com a tocha olímpica em que a chama são monges tibetanos.
Segundo o critério do Júri Internacional do X PortoCartoon, o papel do cartoon não é só fazer crítica, mas o de denúncia também é fundamental. Dentre os quase 2000 desenhos a concurso, “este foi o mais oportuno, toca um tema que está a ser abordado no Mundo (China versus Tibete) e os Jogos Olímpicos, cuja chama tem sido apagada em alguns sentidos”, disse Luís Humberto Marcos, Director do PortoCartoon e do Museu Nacional da Imprensa (MNI).
Partindo da ideia do Cartoon como linguagem universal, “a obra reúne todas as qualidades, define o tema, apresenta uma dimensão estética forte e pode ser lida, percebida em qualquer parte do Mundo”, afirmou o director do certame, acrescentando: “Este PortoCartoon tem uma marca fundamental. O tema dos direitos humanos é muito significativo. Há ainda cerca de três biliões e meio de habitantes que estão fora da geografia da liberdade”.
Para Marlene Pohle, presidente da FECO (Federação da Organização de Cartoonistas), em «A Chama Olímpica» “os Direitos Humanos são apresentados com enorme actualidade”, realçando que “o cartoon é uma arma poderosíssima”.
Augusto Cid é natural do Faial, Açores, participou em várias exposições individuais e colectivas, sendo a mais recente a «Exposição Colectiva»: Cartoon Xira, em Vila Franca de Xira, tendo executado vários troféus para a Associação do Cavalo Lusitano e ainda esculturas para praças públicas, como a de Gonçalves Zarco, no Restelo, em Lisboa.
De acordo com Luís Humberto Marcos, esta é a primeira vez que o Grande Prémio vai para um português: “Durante alguns anos, o PortoCartoon foi acusado em não dar atenção aos trabalhos dos portugueses, mas o que avaliamos não é a nacionalidade das obras, mas sim a singularidade, a particularidade e a excelência dos designers que transmitem a excelência do PortoCartoon”.
A cada edição do festival, o Júri afirma-se surpreendido com a qualidade técnica dos trabalhos apresentados e ressalva a dificuldade na escolha das obras.“Seleccionámos os trabalhos que mais nos marcaram de uma maneira muita positiva”, disse Júlio Dolbeth, representante da Faculdade de Belas Artes do Porto e membro do Júri, composto ainda por Xaquin Marin, director do Museu de Humor de Fene (Galiza/ Espanha) e Marlene Pohle, da FECO ( Alemanha).
A X edição do festival teve uma participação nunca atingida em anos anteriores. Foram mais de 500 cartoonistas inscritos e 70 países participantes, em que o Brasil se destaca com a maior número de trabalhos, seguido de Portugal e do Irão. O segundo lugar foi atribuído ao cartoonista turco Muhittin Koroglu (sem título) e o terceiro a dois artistas, o brasileiro Dalcio Machado (sem título) e Taeyong Kang, da Coreia do Sul, com a obra «Seca».
Os vencedores do PortoCartoon vão receber um prémio monetário, garrafas de vinho do Porto, troféus e diplomas.