É com esse objectivo que acordamos cedo.
Enquanto tomamos o pequeno-almoço, a D.Maria José, que nos fez realmente sentir em casa, diz-nos que « o S.Pedro resolveu pregar uma partida ». Depois de dias de intenso sol, o céu está toldado e cai uma chuvinha que se confunde com humidade, mas a verdade é que não nos lembramos de um dia em que tenhamos gostado tanto de vê-la cair.

A explicação para o que acima se disse é simples : a neblina dá uma aura quase mágica a estas aldeias de pedra. Há um anúncio cuja música fala de um mundo encantando onde há reis, princesas e dragões, e ao chegar a Cerdeira, a primeira das aldeias que visitamos, somos tentados a acreditar nisso. Ao atravessarmos a ponte que faz a curva, envoltos em vegetação com tons que vão do verde ao avermelhado, passando pelo castanho, julgamos entrar numa dimensão paralela, onde poderiam viver os Hobits criados por Tolkien. Não há Hobits, mas há uma alemã chamada Kirsten, que aqui ficou a trabalhar a madeira, e o António, que deixou o conservatório para aqui se instalar e cultivar os mais variados tipos de plantas, entretanto embaladas em saquinhos com a marca Planta do Xisto.

Passando por Candal, a estrada de terra batida leva-nos até Talasnal, a aldeia onde fica o afamado Ti Lena, que só abre de sexta a domingo e cuja mesa deve ser reservada, e a lojinha do Talasnico, onde encontramos os deliciosos talasnicos (especialidade feita de mel, castanhas e amêndoas) e vários licores de beber e chorar por mais. Mas como íamos conduzir…
Segue-se Casal Novo e Chiqueiro, antes de chegarmos a Gondramaz, que em breve terá um restaurante junto ao novíssimo turismo rural. Vamos ter com o Sr. Carlos Rodrigues, que esculpe a pedra há quase 30 anos, mas que infelizmente não tinha nemhuma das célebres bonecas para recordação. « Sabem, são muitos anos no meio do pó da pedra, e os olhos ressentem-se. Mas quando terminar o tratamento vou voltar ao trabalho”, diz-nos, convidando-nos a voltar. Quase como se adivinhasse os nossos pensamentos.